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Não se envolva

Com problemas.
Não se envolva com pessoas de mal, com quem não te quer bem. Também não se envolva com quem te quer bem.
Com pensamentos ruins, com pensamentos bons demais e com pensamentos complicados.
Não se envolva com padeiro, médico, com o dentista, balconista..., não se envolva com frentista.
Não se envolva com seus vizinhos e seus cachorros. Não tenha cachorros.
Não se envolva com seus tios, avós, pais, irmãos... Não se envolva com a sua família, seu trabalho, suas vontades, desejos..., não se envolva com os amigos.
Tente não se envolver com pensamentos, idéias, coisas do passado e planos pro futuro..., não se envolva com nada.
Não se envolva com pessoas importantes, ídolos, fãs, mágicos, trapezistas, políticos.
Não se envolva com outras pessoas e sentimentos, carinho, afeto, felicidade, paixão, amor, confiança...
Se possível, não se envolva nem consigo mesmo.

Desabafo Existencial





Odeio a morte.
Não porque ela leva as pessoas ou porque me ameaça, simplesmente porque existe.
É um pouco torturante analisar os fatos dentro da visão de uma lógica pouco observada dentre as pessoas sobre a nossa existência. O ser humano é definitivamente a criatura mais inteligente e capaz que existe sobre a face da Terra, uma maquina engenhosa e fascinante capaz de resistir a uma gama incrível de problemas, doenças, catástrofes naturais e danos terríveis, mas não resiste à simples ação do tempo.
Ciência, religião, crenças adversas. Tudo defende a morte como pode simplesmente pra não parecer tão ruim ou doloroso. Homens poderosos e inteligentes de todas as partes do mundo criaram seus meios e desenvolveram suas habilidades pra consolar a droga do lado sentimental de cada membro da sua árvore sociológica, mas ignoram com todas as forças qualquer influência que possam exercer com lógica pura simplesmente por questões morais.
Se existe um Deus ou Demônio em algum lugar, pra mim eles são a mesma coisa..., o tempo.
Está presente em todos os lugares. O tempo tudo cria, tudo melhora, tudo piora, tudo dá, tudo tira... Em tudo ele influencia, traz e leva tudo e a todos.
É a existência mais imperceptível e incrivelmente poderosa que existe no universo. Só quando se pensa nele é que se nota tudo o que é capaz de fazer e a clareza com que os fatos se encaixam.

“Hoje conheço Maria.
Gosto de Maria.
Fico feliz com Maria.
Amo Maria.
Quero me casar com Maria.
Programo uma vida com Maria.
Maria viaja.
Maria fica fora seis meses.
Conheço Ana.
Amo Maria.
Gosto de Ana.
Fico feliz com Maria.
Gosto de Ana.
Gosto de Maria.
Fico Feliz com Ana.
Amo Ana.
Caso-me com Ana.
Tenho filhos com Ana.
Viajo com Ana.
Mudo-me pra Londres com Ana.
E Maria... Maria? Que Maria?
“- Essa no seu celular.”
“- Não sei. Não me lembro.””


Poderia ficar aqui por horas digitando tudo o que se passa pela minha cabeça acerca disso.
No fim tudo é uma questão de opinião e diferente do que o substantivo aparenta, basicamente influenciará em toda a sua vida do inicio ao fim com mais poder do que se pode imaginar.
Assim que não houver mais problemas ou questionamentos acerca do tempo não haverá necessidade de se ter um Deus e poderemos responder finalmente a pergunta feita pelo velho de Waking Life: “Qual é a característica humana mais universal? O medo ou a preguiça?”
Sem o tempo não existirá medo. Logo sem o medo restará apenas a preguiça uma vez que é fato que o ser humano jamais atingirá o mínimo do seu verdadeiro potencial.
Tudo pra nada?
Não. Tudo pra nos reafirmarmos completamente insignificantes e incapazes perante nossos “Deuses” por meio novamente da ciência, da religião e das crenças adversas.

Nada Compreensível...





Me pego num pensamento confuso.
Flutuo num mar de emoções lógicas que me prendem a cada segundo mais a um chão que não se deixa existir.

Intenso sentimento em que me vejo
Imerso num mundo que dá medo de amar.
Prendo pra cada segundo um desejo
A vontade de um beijo que só você pode dar.

Misturo tormentas num copo de vidro, pra poder olhar
E vejo emendas sem sentido
Que se jogam no mesmo cilindro
E me tiram a capacidade de pensar.

Sinto um vento de proa que sopra a face
Enquanto engana a graça da certeza
Na sombra de duvida que nasce
E no medo que encobre a beleza.

Caio então numa insanidade sóbria onde o coração grita e a lógica cala.
Já escutei demais minha irracionalidade. Ou amo ou entendo...
Ou ando.

Teatro Nostálgico





Me pego num pensamento antigo.
Acordo e durmo numa nostalgia constante que enfumaça todos os pensamentos...
Deito um instante no sofá rasgado por traças e recordo a sala cheia, tomada por parentes brindando em taças a virada do ano. Pessoas que não existem mais cheias de palavras na boca e sorriso no rosto... “sensação esquisita”.
Ando pelo corredor numa intuição barata de lembrar-me de mais coisas e ali está no quarto sobre a cama do meu irmão, o meu bisavô com sua viola caipira e suas músicas raízes que nunca apreciei. Um olhar atencioso à família que ele se deixou esquecer quarenta anos atrás e agora tentava se reaproximar..., morreu dois meses depois disso.
Volto para o computador, escrevo e penso enquanto ouço musicas de 2004 que me fazem entrar naquele sentimento vicioso que soa como aquela famosa frase desprezível: “Eu era feliz e não sabia”.
Só nesse momento cai a consciência como um soco no peito e me caracterizo naquela classe ridícula de pessoas que entram num ninho vicioso de sofrimento e dor, e transforma tudo aquilo num drama supersaturado de verdades forçadas.
Nem dói tanto assim.

A maior parte do “todo mundo” vive e adora aquela agonia desesperadora do terror que a realidade proporciona apenas pra poder amar mais o passado. Ainda existem aqueles que resumem como: fraqueza, incapacidade, impotência, mas no fim a grande maioria é movida por gosto.
Nostalgia não é sentir pena de si mesmo por reconhecer a beleza do passado tarde demais e nem fonte de escape pra realidade. Auto-piedade não ressuscita ego, acorda caráter ou resolve problemas, essa fumaça é venenosa e cega.
Ninguém é pior ou melhor que ninguém (mentira). Mas sempre vai haver uma suculenta opção acomodada de dor e sofrimento teatral pedindo pra ajudar a sanar essa carência.
Se o problema é real, melhor deixar o teatro pros atores. Eles sofrem, choram e são ajudados de mentira. Na vida as pessoas e os sentimentos são reais.

Beleza




É a farra de sangue presa na mão santa do homem.
É o favo da morte na ambigüidade da palavra e contra qualquer ordem justa.
É o cemitério de rostos ocultos presos na ilusão da vida.
São fatos fartos, narrados por bocas vazias que já se encheram de sangue só por tentar matar a sede de justiça.
É a brigada dos vivos na terra dos mortos, é a sanidade incompetente dos perversos e é a dor; é o conforto.
A sede de “terra nova” só confronta por raça e vontade num ninho de certeza absoluta de derrota.
Preso na luta inútil dos fracos, no doce gosto da guerra que sempre ironiza o poder num sentimento inexplicável de prazer, o amor perece.
Deitada numa futilidade inconveniente que despreza o próprio nome, satiriza a própria existência e fere a fé.
Ninguém notará a rosa se houver sangue a não ser que a rosa sangre.

Fim







E quando parece já não haver forças, uma velha e fraca angustia grita do fundo da alma.
Um último apego de agonia e falta de ar se mostra disposta a expressar por mais um segundo toda a raiva que se sente.
Sempre houve um pouco mais de cada um dentro de um lugar secreto no peito
É fácil dizer que não é real quando já não se esta mais no chão.
É fácil dizer que acabou quando ainda se esta perto.
É simples compreender toda complexidade de algo perfeito quando se vive isso.
Mas o tempo passa e a distancia surge num vácuo de tempo que jamais se espera surgir ou se descobre o inicio.
É uma montanha de sentimentos confusos que tremulam o mais profundo dos sentimentos humanos numa fila de fatos que nunca fazem sentido.
É como perder o foco e o reflexo num pausar da vida e ainda assim continuar respirando.
Imaginar todo um ex-futuro como simples e absoluta mistura de erros sem volta que fizemos em todos os últimos segundos, focar em tudo isso como o mais sóbrio dos pensamentos infantis que se pode ter.
Quando você nota a depressão, sua alma já não tem apego suficiente pra obedecer a simples ordens de auto preservação.
Os sopros de consciência voam como uma brisa de arrependimento e culpa por todo o espaço ao redor e um último soar de sobriedade se apaga em meio à ausência total de luz e vida.


A única vontade é que esta se torne uma noite eterna...

Pacote de Lembranças




Seria a mais bela manhã...
Podia sentir seu cheiro na fronha do travesseiro antes mesmo de abrir os olhos, podia sentir o calor das cobertas dando-me um aconchego único...
Era um momento sóbrio de absoluta felicidade, um momento nítido de amor; era o maior prazer da Terra.
Na minha mente ainda via seus olhos junto aos meus num sentimento duradouro e incansável, sentia o peso de uma das suas mãos acariciando meu rosto enquanto a outra tocava com a ponta dos dedos os meus cabelos.
Ainda podia sentir o macio da pele da sua cintura em minhas mãos e ver um pouco abaixo de sua orelha uma pequena pinta encoberta por alguns fios de cabelo embaraçados.
Lembro-me docemente do gosto dos seus lábios.
Ainda deitado consigo escutar o som da sua voz dizendo que voltaria logo...
Agora você é apenas um pacote de lembranças...

Dor




A dor é um prazer tão promiscuo.
Sempre vem após um banho de sorrisos e abraços, vem após o ápice de qualquer momento feliz. Vem após a vontade absoluta de viver.
É um momento extremamente sóbrio e realista da vida que se aprende alguma coisa nova..., ou revive uma antiga lição. É um momento de paz profunda e consciência absoluta de realidade.
É o exato momento em que deixamos de pensar no futuro pra analisar profundamente passado e presente numa linha vermelha e tênue.
É o momento em que a raiva já se foi, as lagrimas já escorreram por completo deixando apenas uma caldeira grande e fervente de magoa e tristeza.

‘é o que se sente no dia seguinte’

A mente é fissurada e nem o mais trágico fato do mundo importa. A alma é apreendida na garganta ressecada e o peito espuma numa pressão estranha tão forte que estufa seus olhos pra fora os fazendo brilhar da forma mais morta possível.
A cabeça fica cheia de pensamentos pesados e torturantes que arrancam cada vez mais pedaços de raízes profundas das entranhas da memória e proporcionam cada vez mais agonia e tristeza.
A dor questiona tudo: justiça, verdade, mentira, momento, felicidade, carinho, amor...
Tudo na dor é injusto.
Tudo na dor é mentira.
Tudo na dor é invenção.
Tudo na dor é tristeza.
Tudo na dor é dor.
Tudo dói.

Pessoas e Seres Humanos






As vezes quando estamos a sós, paramos e pensamos nos possíveis motivos para tudo o que já fizemos mesmo que esse tudo já os tenha; há vezes em que paramos e pensamos em motivos para coisas que ainda iremos fazer..., coisas que sempre ficam pra depois, talvez por esquecimento..., talvez por medo.
Quase sempre o que fica pra depois é o que realmente importa e é isso o que realmente torna o ser humano apenas uma pessoa.
Os motivos que buscamos para sair dos caminhos que nos foram postos estão sempre a vista daqueles que quiserem ver, basta procurar na simplicidade a semelhança entre você e teu próximo.
Não há um porque lógico para se ter uma vida planejada, mesmo porque a criação deste a tira o titulo de vida.
Viver é ser livre para fazer suas escolhas deixando-as falar por si, estando elas certas ou erradas.
Nascemos todos com poucas opções, destinados a ser pessoas por força maior e colocando assim um ponto final a humanidade.
O mundo girou nos últimos séculos e com ele o tempo passou..., os seres humanos estão dando lugar as pessoas e a vida está tornando-se apenas rotina. A vontade já não prevalece como antes pois agora há regras que definem o certo e o errado..., não podemos mais errar.
Há um caminho muito rígido em nossa frente e precisamos muda-lo, há e sempre houve uma segunda opção mas ainda preferimos o que todos os outros preferem, a igualdade.
Entretanto, uma única coisa dentre tudo isso, por mais que o mundo pregue jamais fomos e jamais seremos iguais, somos todos nada mais que semelhantes.

Consequência



Que tolice seria tentar encontrar uma divindade no próprio reflexo.
Ainda que pudesse classificar uma alma como boa ou ruim dentro de meros padrões humanos... mas sequer é possível unir alma e humanidade num mesmo termo onde ambos consideramos ilusões.
Maldita seja a existência desfocada...
A que se oportuna a influência da brisa alheia e dos olhares...,
Maldito seja o que oportuna-se a perder... propositalmente.
Somos todos fatos ambulantes perdidos em busca de interpretação.
Nossas mentes são nossas conseqüências e nossa maldição é sofrer por elas.
Há sorrisos que nos abatem, há toques que nos machucam e há o beijo que fere profundamente com o mais doce carinho... há a dor provocada pela própria perdição...
Há conseqüências com conseqüências e há feitos sem glória... e há a morbidez... meros cães sem raça e mente, seres ocultos que nem por isso valem seu ar.
Há a vontade inútil de lutar, mas há a reação do impossível agindo sobre tudo..., há a reação da imperfeição...
Pensar, agir, respirar... tornar-se presença no espaço... a conseqüência do oposto ao nulo sempre gera conseqüência cada esta gera uma ação e assim... eternamente.
A realidade é a cadeia devastadora das conseqüências. Pensar não muda sua influencia sobre isso ou a influencia disso sobre você..., pensar não muda nada além de uma próxima conseqüência...
Basta viver a própria tolice quando não se espera nada alem do tempo... seja mais um inútil sorrindo ou seja você.

Obviedades Incertas





...definitivamente o fim do tempo que tanto temia já se passou há muito tempo.

Quando não se tem mais apegos sólidos, não se tem mais apegos ilusórios..., a mente decai por uma planície de bocejos vazios sem visão de futuro e sobrevive apenas em uma única indagação que consiste em saber o momento exato em que tudo acaba.
Começa a parecer uma atitude pretensiosa dar uma “mãozinha” pra que o fim chegue..., até a hora em que a mente titubeia. As dores da certeza que pairam sobre o peito agora são mais instáveis que os giros incertos de uma dançarina sobre seus próprios pés...

..., as pessoas conseguem sanar sempre “quase” todas as dores.

Como se tudo fosse insólito, como se toda aquela cena fosse pura imaginação, como se talvez nem cena houvesse..., como se talvez tudo fosse fruto de um sonho imerso em neblina tão densa e pegajosa quanto a melodia que viera ao fundo..., tudo sem memórias, apenas som e um sentimento abrasivo de tristeza perante o espaço vazio.

..., haverá enfim o momento em que só se terá o espaço a contemplar.

Então em meio a incerteza da obviedade se tem sussurros de lucidez..., algumas coisas que nem sempre fazem sentido são postas como uma mistura em equilíbrio delicado de ternura e dor que fere gradualmente a cada pensamento correto sobre a realidade...
... a verdade é que agora estou só...